Não digam que eu sou branco
Que eu sou negro
Que eu sou amarelo
Que eu sou vermelho
Branca e preta é a minha pele e o Corinthians é o sonho meu.
Se eu procurar o amor e disserem que o amor morreu.
Se tentar cantar e souber que a canção acabou.
Se for trabalhar e falarem que eu não tenho mais trabalho.
Se eu procurar meu pai e informarem que meu pai morreu.
Se procurar pela mãe e falarem: sua mãe morreu.
Se chamar pela moça amada e for em vão minha procura.
Se sentir sede e não houver mais água.
Se tudo for assim, mesmo sem uma canção, ainda assim cantarei e gritarei: “Timão!”
O Corinthians é como o pai da gente.
É água na hora da sede.
É o ombro amigo onde podes desabafar tuas mágoas.
Se me mandarem para uma ilha deserta, ainda assim eu não estarei só, porque o Corinthians vai comigo.
Se eu for pra China. Se for pra Conchinchina, Coréia ou Japão.
Em lugar algum, cercado de estrangeiros, eu me sentirei só, porque o Corinthians vai comigo
. O Corinthians me ensinou a amar o mundo.
Viva o Campeão do Mundo
Viva o Timão de todos os times.
Viva o escrete de Baltazar, Luizinho e Cláudio Cristóvão Pinho, que deixou de herdeiro os abençoados pés de Marcelinho. Salve o doutor Sócrates, Brasileiro de nome, e corintiano de alma. Oxalá ao Mestre Supremo da galeria alvinegra, honrarias de chefes de estado ao “Poeta Rivelino”, surpreendente invenção a cada verso. Sinceros agradecimentos a Neto e seus comparsas, Giba, Ronaldo e Tupãzinho, que com artilharia pesada e alma lavada, resgataram o timão da arides do esquecimento as delícias do poder e da conquista. Por lapso ou esquecimento, certamente estou sendo injusto com personagens importantes da história corintiana. Que o digam os fãs de Neco, Wladimir, Zenon, Waguinho, Adãozinho, Gamarra, Paulo Borges, Biro-Biro e tantos outros. Mas não poderia deixar de mencionar aqui a competência do quase-intransponível Dida e do endiabrado Edílson, meus semi-heróis de juventude, protagonistas de uma alegria que só esse time pôde me dar.
Não sou do PT, nem do PSDB, nem do PPS ou PC do B.
Do PFL eu não sou.
Eu amanheço Lula e anoiteço Serra
. Fico indeciso em quem votar.
Só o Corinthinas é minha verdade.
Amo a moça loura.
Amo a morena.
A moça negra eu amo.
Mas a moça alvinegra é que mora no meu coração.
Já mudei de tudo neste mundo
. Mudei de cidade, mudei de estado. Mudei de país
Mudei de partido político.
Mudei de religião e ao “corinthianismo” voltei.
Já fui ateu e acreditava em Deus. Coisa de leitor atroz.
Mudei de casa.
Mudei de amor
Eu só não mudei de time: faça sol ou faça chuva, anoiteça ou amanheça, na alegria e na dor, eu só não mudei de time.
O Corinthinas é meu café da manhã.
É o cigarro que não fumo.
É o sono que eu não durmo.
É minha insônia e minha canção.
É meu primeiro e meu último amor.
Eu sou corintiano.
Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, eu torço contra o vento.
André Biaggioni



